Talentos não podem ser desperdiçados
Muito se discute ultimamente acerca da melhor forma, do melhor método para o crescimento ou até a retenção do número de associados do Rotary. São ações necessárias para mantermos viva a chama da existência e continuidade da nossa organização.
Percebo claramente em diversos Clubes, que os novos associados não assumem cargos, não são envolvidos, não são inseridos nos rituais, nas tarefas, seja por qual motivo for. Isso é muito ruim para o processo de aprendizado, crescimento, integração, engajamento, pois eles acabam não tendo a oportunidade de testar suas respectivas competências e aí possivelmente nos deparamos com um eventual talento desperdiçado, não percebido, não aproveitado.
Isso se aplica também aos associados antigos. Há companheiros nos Clubes que são verdadeiras figuras decorativas, limitando-se a pagar a mensalidade e ir às reuniões. Em alguns casos nem isso acontece. Há associados que pensam que doar um volume financeiro para a Fundação Rotária isenta-os de participar das atividades administrativas e projetos. Doar recursos financeiros é tão importante quanto, colocar a mão na massa, “pegar o boi pelos chifres”, dar o exemplo fazendo e não apenas saindo nas fotografias.
A idade média dos rotarianos é alta, como sabemos e, embora sejamos ativos, animados, os Clubes não deveriam deixar os cargos sob a responsabilidade das mesmas pessoas, gestão após gestão, geralmente aqueles companheiros mais antigos, pela experiência, conhecimento das normativas do Rotary, etc. Os referidos companheiros são verdadeiros “carregadores de piano”, mantendo com pouco ou nenhum apoio, o funcionamento dos Clubes. É preciso ousar para manter a continuidade, pois nenhum de nós viverá para sempre.
A minha vida profissional me mostrou uma realidade dolorosa certa vez, quando, diante de uma oportunidade de crescimento, meu superior me disse com todas as letras, que eu não seria promovido porque não havia ninguém na equipe para me substituir. Isso me custou caro e desde então adotei a estratégia de preparar sucessores, contratar profissionais com diversidade de conhecimentos e que pudessem me substituir a qualquer momento na organização.
Da mesma forma vejo a estrutura dos Clubes, pois é preciso desenvolver os novos associados, para que os cargos não fiquem eternamente sob a responsabilidade das mesmas pessoas. Só assim conseguiremos ter sempre companheiros aptos ao exercício de qualquer cargo.
Não tenho a receita do bolo, mas quando exerci a Presidência do Rotary Club de Bangu, nos períodos 2019-20 e 2020-21 montei a equipe considerando sempre um novo entrante, deixando como segundo, um companheiro mais experiente. O Diretor de Protocolo do período 2019-20 atuou como Secretário em 2020-20 e atualmente é o Presidente do Clube. O Secretário do período 2019-20 atuou como Diretor de Protocolo em 2020-21 e será o Presidente do Clube no próximo período.
A ideia é sempre dar uma atribuição ao novo entrante, deixando um companheiro mais antigo na retaguarda. Isso faz com que o novo associado seja obrigado a se envolver, ler, estudar, sempre com a segurança de ter o apoio necessário, caso precise.
Nos dois períodos em que estive na presidência do Rotary Club de Bangu recebi indicações de pessoas interessadas em conhecer a nossa organização e mesmo limitado pela pandemia, fiz o primeiro contato por telefone, convidei para um bate papo virtual comigo (via zoom), convidei para as nossas reuniões virtuais, sempre buscando mostrar ao interessado como a nossa organização funciona e o bem que faz a humanidade, através de seus projetos.
Compartilhei com vocês dois singelos exemplos de sucesso, pois um já é associado do Clube há um ano e o outro tomará posse, logo mais, em 24/11/2021.
Dá trabalho! Dá prazer! Dá orgulho!
Marcos Cerqueira Acruche
Diretor Regional no Distrito 4571, Região D
Associado do Rotary Club do Rio de Janeiro-Bangu






