Clubes de Rotary: ações que podem garantir nossa permanência na Mata Atlântica

No artigo anterior procurei chamar a atenção das questões geopolíticas do território do Distrito 4.571, destacando genericamente alguns aspectos. Considerando que agora já temos uma boa ideia do tamanho de nossa complexidade, discutirei um pouco mais sobre questões específicas, sugerindo mecanismos que possam minimizar ou até mesmo resolver alguns problemas localmente. Começarei destacando as questões relacionadas à vegetação da Mata Atlântica.

Como já foi dito no artigo anterior, toda a área geográfica de Mata Atlântica  (fig.1) encontra-se protegida pela Lei da Mata Atlântica e o Decreto que a regulamenta (Lei nº 11.428, de 22 de dezembro de 2006 e Decreto nº 6.660, de 21 de novembro de 2008). Deste modo, obviamente, a maior parte da grande degradação ambiental sofrida pela vegetação natural primitiva da região aconteceu antes da existência de qualquer lei que se preocupasse com a proteção dos ecossistemas naturais. Aliás, cabe lembrar que o Brasil foi “descoberto” em 1500, com a chegada da esquadra de Pedro Álvares Cabral, no Sul da Bahia, exatamente em área do Bioma Mata Atlântica e foi a partir dali que começou a exploração dos recursos naturais do país. Deste modo, a Mata Atlântica, desde o início da colonização brasileira, foi o Bioma mais explorado e dizimado do Brasil.

Figura 1 – A Mata Atlântica e seus principais tipos de vegetações.
Figura 1 – A Mata Atlântica e seus principais tipos de vegetações.

Se não bastasse isso, a ocupação do território brasileiro a partir da Bahia, se deu na direção Norte-Sul e assim foi gradativamente sendo ocupado o Nordeste, o Sudeste e o Sul, ou seja, toda área abrangida pela Mata Atlântica, que primitivamente era uma grande floresta (na verdade são vários tipos de vegetações específicas), que se estendia pela faixa leste do Brasil, desde o Rio Grande do Norte, até o Rio Grande do Sul. Esse Bioma abrangia uma área com mais de 1.110.000 km² e totalizava 15% do território nacional. Hoje, existe apenas cerca de 12% do Bioma, por conta do excesso de desmatamento, da ocupação e da exploração indevida e inconsequente.

Cerca de 70% da população brasileira vive no domínio da Mata Atlântica. Só para ter uma ideia do que isso representa, reflitam sobre o fato de que existe Mata Atlântica em 17 estados brasileiros e que 40 das 50 cidades mais populosas do Brasil estão neste domínio. Nos 521 anos de história após o descobrimento, a Mata Atlântica chegou ao colapso, ocasionando a extinção em várias áreas, e obviamente, é impossível o retorno à condição primitiva. Porém, algumas ações podem ser muito úteis para garantir a nossa permanência nessas áreas já dizimadas. Os clubes rotários certamente podem agir nesse sentido.

É possível desenvolver projetos de restauração de pequenas áreas naturais degradadas, como:

  • Reflorestamento de áreas de matas ciliares;
  • Proteção de nascentes;
  • Recuperação de pequenas áreas erodidas e 
  • Formação de pequenos corredores ecológicos. 

Projetos para melhorar as condições de áreas urbanas e suburbanas, enfatizando o plantio de espécies nativas:

  • Planos de Arborização;
  • Desenvolvimento e restauro de praças;
  • Criação de Bosques e Parques Urbanos. 

A utilidade ambiental, social e espiritual dessas ações têm grande importância para o ser humano citadino e ainda servem como atrativos à fauna, principalmente as aves, que progressivamente voltam aos ambientes urbanos.

Se, em cada município, os clubes rotários se alinharem como parceiros do poder público na recuperação das nascentes e dos rios urbanos, com o simples plantio de árvores no entorno e nas margens, já serão produzidos grandes resultados à qualidade de vida local, propiciando um clima mais ameno, uma redução significativa da poluição atmosférica e hídrica, além de uma perda menor de água. Certamente isso trará mais saúde aos cidadãos. 

Por outro lado, a promoção de simples eventos educativos em escolas e centros comunitários com os jovens, visando aprimorar a educação ambiental deles, também são ações que produzem significativos resultados e que tendem a garantir um futuro ambientalmente correto dos centros urbanos.

São coisas simples e de pouco custo, que trazem resultados incríveis e melhoram ambiental e socialmente a vida de todos. Conversem com os companheiros de seus clubes e dos outros clubes da cidade, e proponham parcerias às prefeituras para desenvolver algumas dessas pequenas tarefas. Se houver necessidade de recursos, lembrem-se que agora o Meio Ambiente é uma das áreas de enfoque do Rotary International e que pode ser possível conseguir alguma coisa mais sofisticada com recursos financeiros oriundos da Fundação Rotária. 

Enfim, não vamos mais ter a Mata Atlântica primitiva, mas podemos ter uma qualidade de vida melhor e mais agradável do que a que temos, se resolvermos nos envolver mais seriamente nesses aspectos relacionados à recuperação e restauração de ambientes. 

Pensem nisso, porque certamente nossos municípios precisam e as gerações futuras antecipadamente agradecem a colaboração.

 

 

Luiz Eduardo Corrêa Lima
Coordenador da Subcomissão de Meio Ambiente
Rotary International Distrito 4.571

Associado do Rotary Club de São José dos Campos-Urupema

Localizar site dos clubes